Março de portas abertas: turistas estrangeiros impulsionam dormidas no país
Março aqueceu não só no clima, mas também nos números do tourism português: 2,3 milhões de guests e 5,6 milhões de dormidas marcaram o ritmo dos alojamentos turísticos, impulsionados por uma onda de visitantes estrangeiros. Apesar de o crescimento nos hóspedes ter sido tímido — apenas 0,9% face a 2025 —, as dormidas avançaram 1,4%, movidas quase que inteiramente pela international demand . Enquanto os residentes em Portugal reduziram suas estadias, o país viu turistas de fora preencherem quartos, numa dança de calendário influenciada pelo Carnaval em fevereiro e pela Páscoa em abril, como adverte o national statistics (INE).
Os dados revelam uma clara inversão no comportamento do mercado interno, que recuou 2,3%, somando 1,6 milhões de dormidas — um refluxo após o crescimento de 2,6% em fevereiro. Já o desempenho externo brilhou: 4,0 milhões de dormidas de não residentes, um aumento homólogo de 2,9%. Destaque para a Irlanda, cuja presença cresceu 16,2%, e para a Espanha, com 14,0%. Em sentido oposto, o Brasil registrou a maior queda: -7,0%. Mesmo assim, os dez principais mercados internacionais continuam dominando o cenário, concentrando 74,3% do total de dormidas de estrangeiros. O UK market manteve a liderança com 16,4% da quota, interrompendo sete meses seguidos de queda com um tímido +2,2%.
Na sequência, o mercado alemão assumiu a segunda posição (14,3%), mantendo sua trajetória ascendente com +9,2%, enquanto os turistas norte-americanos ocuparam o terceiro lugar (9,7%), crescendo 5,1%. Atrás desses números está um setor que não só atrai visitantes, mas também gera riqueza: os proveitos totais do turismo atingiram 432,9 milhões de euros, um aumento de 6,6%. Desse montante, 319,2 milhões vieram dos proveitos de aposento, com crescimento de 5,9%. É dinheiro que circula em hotéis, hostels e casas de turismo rural, aquecendo a economia local.
Regionalmente, a Grande Lisboa liderou em arrecadação, com 33,9% dos proveitos totais e 36,0% dos de aposento, seguida pelo Algarve (17,4% e 16,0%) e pelo Norte (16,9% e 17,2%). Os maiores aumentos, porém, vieram do Algarve (+11,9% nos totais, +10,8% nos aposentos) e da Região Autónoma da Madeira (+11,1% e +11,8%). Em termos de concentração de dormidas, Lisboa foi imbatível: 1,3 milhões, ou 23,3% do total nacional. A capital também abrigou 28,2% das dormidas de não residentes. O Porto, em segundo lugar, registrou 529 mil dormidas — 9,4% do total — com 10,9% entre turistas estrangeiros.
Este mês de março mostra um país estrategicamente posicionado entre festividades móveis e fluxos globais, onde o turismo internacional funciona como um amortecedor para a hesitação dos próprios portugueses em viajar dentro do país. Enquanto isso, as regiões apostam em eventos, clima e património para atrair quem vem de fora. O desafio, agora, será manter esse momentum nos meses seguintes, especialmente com a alta temporada logo à porta. O setor não apenas se recovers , mas se reinventa, com números que contam uma história de resiliência e adaptação.
Impressionante ver o peso do mercado britânico a regressar. Será que vão voltar com força total este verão?
O Algarve a crescer +11,9% é ótimo, mas será sustentável? Já sinto o turismo em excesso nas praias em julho.
E o interior do país? Mais uma vez esquecido nos números. Lisboa e Porto levam tudo.
A Madeira a crescer tanto é uma boa notícia. Espero que invistam em sustainable tourism turismo sustentável e não só em mais hotéis.
16,2% a mais de turistas irlandeses? Alguém sabe o que está a atrair tanto assim esse mercado?
Os números são bons, mas os preços também estão a subir. Será que o crescimento compensa a qualidade de vida nas cidades turísticas?
O turismo está a gerar milhões, sim, mas onde é que esse dinheiro realmente fica? Nas contas de quem?
Interessante como o Carnaval e a Páscoa mexem tanto com os dados. Um mês ruim pode ser só questão de efeitos de calendário.