Keir Starmer quer reaproximar Reino Unido da UE sem reabrir debate do Brexit

Quase dez anos depois do referendo do Brexit, o primeiro-ministro Keir Starmer defende um new approach nas relações entre o Reino Unido e a União Europeia. Em entrevista à BBC, afirmou que é hora de look forward e construir uma ligação mais forte com a Europa, especialmente diante da instability provocada pelo conflito no Irão. Para Starmer, uma cooperação mais estreita é essencial não apenas para a economia, mas também para a security e a energia do país.

O plano do governo envolve o uso de poderes especiais conhecidos como poderes Henrique VIII, que permitem ao Executivo alterar leis primárias sem passar por um debate completo no parlamento. Um novo legislation , focado num acordo comercial de produtos alimentares e agrícolas com a UE, autorizaria o governo a atualizar as regras britânicas em sintonia com o mercado único europeu, sempre que considerado do national interest . Embora o parlamento possa rejeitar essas mudanças, não terá poder para emendá-las — o que muitos veem como uma limitação do seu oversight .

Questionado sobre uma possível backdoor integration com a UE, Starmer negou que os deputados sejam excluídos do processo. "As mudanças só avançam se o parlamento aprovar a decision ", afirmou, destacando o contexto global de conflitos e uncertainty . Para ele, uma relação mais próxima com a Europa é vital para enfrentar desafios comuns. "Os melhores interesses do Reino Unido passam por uma ligação mais forte — seja na defesa, na energia ou na economy ", disse.

O governo argumenta que a medida pode injetar milhares de milhões de libras na economia, reduzir os costs para empresas e baixar os prices para os consumidores, especialmente em alimentos. "O objetivo é facilitar o comércio", explicou Starmer. No entanto, a oposição reagiu com criticism severas. Andrew Griffith, do Partido Conservador, acusou o primeiro-ministro de ignorar o veredicto de 2016 e alertou que o parlamento corre o risco de se tornar mero spectator .

Nigel Farage, líder do Reform UK, foi ainda mais duro: chamou à proposta uma tentativa de regressar pela porta das traseiras ao controle europeu. Do lado do governo, uma fonte anônima rebateu, dizendo que Farage é too cowardly para negociar com Bruxelas. A fonte destacou que todos os acordos internacionais envolvem shared rules e ironizou: "São justamente os que queriam um Brexit duro que agora gritam traição."

Apesar da controvérsia, Starmer manteve o foco na long-term vision : "Não precisamos de reeditar os velhos debates. Avancemos e reconheçamos que uma relação mais forte com a Europa é do melhor interesse do país, sobretudo num mundo tão volatile como este." A proposta deve ser apresentada ao parlamento antes do verão, marcando um momento crítico na evolução pós-Brexit do Reino Unido.

Comentários 6

  • P
    PauloLima

    Reduzir preços é sempre bem-vindo, mas entregar poderes ao Executivo sem controlo parlamentar real é um huge risk para a democracia.

  • I
    InêsMoura

    É impressionante como os mesmos que queriam 'tomar de volta o controlo' agora se ofendem quando o governo toma decisões — ainda que alinhadas com interesses práticos.

  • R
    RuiSantos

    A economic pressure é forte, sim, mas será que estamos a trocar soberania por migalhas do mercado único?

  • T
    TeresaF

    Olhar para a frente não é esquecer o passado. É aprender com ele. E este plano parece mais uma fuga do que uma mature decision .

  • D
    DiogoCastro

    Se a UE mudar as regras, e o Reino Unido tiver de seguir automaticamente, qual é exatamente a diferença de estar lá dentro ou fora? Alguém responde?

  • A
    AnaPereira

    A public trust neste tipo de manobras legislativas está em baixa. Transparência total seria o mínimo exigível.