Vedat Muriqi, um avançado em vias de extinção
Nem sempre é pelo money ou pela glória dos títulos. Por vezes, é pela vida tranquila, pela comfort emocional, pela familiarity de um lugar onde se sente em casa. Vedat Muriqi, avançado kosovar de 31 anos, escolheu o Maiorca não por uma big price financeira, mas por uma razão mais humana: "Já tive ofertas para ganhar muito mais, mas escolhi a vida, não o dinheiro", disse em entrevista ao El País em 2023. Desde que chegou em 2022, o apelidado de "Pirata" — por celebrar golos tapando um olho — tornou-se num pilar inquestionável da equipa das Baleares.
Esta temporada é a melhor da sua carreira: 21 golos marcados, segundo lugar na tabela de marcadores da La Liga, apenas dois atrás de Mbappé. Foi herói no triunfo improvável sobre o Real Madrid com um golo aos 91 minutos, e repetiu a dose neste domingo, marcando dois na vitória por 3-0 contra o Rayo Vallecano. Um deles com assistência de Samu Costa, internacional português, o kosovar tornou-se no maior goleador da história do Maiorca na Liga espanhola, com 55 golos — ultrapassando Samuel Eto’o. Os seus golos não são apenas números: são lifeline para uma equipa que luta pela survival — agora no 15.º lugar, dois pontos acima da chamada "linha de água".
O que torna estes momentos ainda mais poderosos é o peso emocional que carregava antes. Nas semanas anteriores, Muriqi falhara um penálti aos 92', num jogo que o Maiorca acabou por perder contra o Elche, e vira o Kosovo ser eliminado do apuramento para o Mundial 2026 por 1-0 frente à Turquia. "Falhei um penálti, perdi uma final com o meu país, perdi o sonho da minha vida", desabafou. O golo ao Real Madrid libertou algo mais profundo — levou-o às lágrimas, num choro compulsivo que surpreendeu muitos. "Por fora pareço feio e duro, mas sou humano", justificou. E é exatamente isso: um human moment em campo, raro e verdadeiro.
Muriqi tem uma autoavaliação rara no futebol: não se considera um grande jogador. "Não sou rápido, nem técnico, nem ágil. A minha única arma é a strength ", disse. Acredita que o seu perfil — o avançado alto, de área, com presença física — está em vias de extinção desde que o futebol passou a valorizar velocidade e agilidade, sobretudo após o modelo do Barcelona de Guardiola. "Antes, todos queriam um jogador como eu. Hoje, dizem que o futebol mudou. Mas mesmo assim, o futebol mostra que precisa de um 'poste'."
A verdade é que Muriqi não só sobrevive, como domina. Depois de brilhar em seis épocas no futebol turco, foi para a Lazio, onde não convenceu — marcou dois golos na primeira época, zero na segunda. O treinador Maurizio Sarri foi direto: "Não quero avançados altos e lentos." Hoje, esse mesmo perfil é vital para o Maiorca. Nascido em Prizren, sobreviveu à guerra, à fuga, à morte do pai durante um jogo de futebol. Com esse passado, cada golo é mais do que técnica — é resilience , é a statement . O "Pirata" pode não ser elegante, mas continua a marcar — e a lembrar o mundo de que o futebol ainda precisa de homens como ele.
O Maiorca sem ele era certamente lanterna. A lifeline salva-vida dele é real, não é exagero.
Chorei com a história do penálti e da seleção. Ele carregava o mundo nas costas e ainda fez história. Humano demais.
Treinadores que desprezam avançados como ele não entendem o jogo. Nem tudo é posse e agilidade. Às vezes, basta um strong player jogador forte na área.
O Sarri errou feio. Um jogador com esse impacto não se descarta por não se encaixar no modelo. O futebol é mais do que sistema.
Ultrapassar o Eto’o na história do Maiorca? Isso é legend status status de lenda. Respeito total.
21 golos com 31 anos, num clube que luta para não cair. O efficiency rendimento dele é absurdo.