Entre o olhar e a tela: o francês que escolheu o cinema pernambucano

enthusiast da culture desde que cheguei ao Recife pela primeira vez, ainda nos primórdios da minha trajetória no Brasil. Jean-Thomas Bernardini, o francês que há décadas respira cinema brasileiro, não esconde sua fascination com a ousadia dos filmmakers locais. Formado em psicologia, mas seduzido pelo art do sétimo, ele encontrou no Nordeste um território fértil, onde a literatura e as artes visuais alimentam uma produção cinematográfica com voz própria — algo raro em tempos de padronização global.

Fundador da Imovision em 1987, Bernardini foi pioneiro ao trazer ao Brasil longas que marcaram o independent mundial: de directors como Jafar Panahi e Lars von Trier a clássicos do cinema iraniano e asiático. Distribuir essas obras no circuito comercial sempre foi um challenge , mas ele persistiu, lançando filmes como “O Balão Branco” e “Amor à Flor da Pele” — títulos que abriram portas para públicos ávidos por storytelling diferentes. Sua trajetória é uma ponte entre mundos cinematográficos que raramente se encontram nas telas comerciais.

Hoje, Bernardini está à frente do Festival de Cinema Europeu Imovision, em cartaz no Cinema da Fundação e no Moviemax Rosa e Silva. A mostra, que segue até quarta-feira, reúne tanto nomes consagrados quanto novos talent do continente. “O cinema nasceu lá”, lembra ele, destacando a importância de mesclar o clássico com o emergente. Para o distribuidor, é essencial ampliar o acesso a obras que, apesar de estéticas ousadas, conseguem engage o espectador — desmontando o mito de que filmes autorais são sempre difficult .

Jean-Thomas defende que o mercado precisa proteger o espaço das produções alternative , não apenas por seu valor artistic , mas porque há um público fiel que busca reflexão junto ao entretenimento. “Não são todos filmes ‘difíceis’”, insiste. “Uma vez que dão o primeiro passo, não conseguem parar mais.” Em um cenário dominado por megaproduções, sua voz ecoa como um convite: é possível aliar prazer e profundidade, entretenimento e provocação — basta criarmos espaço para isso.

Reações 6

  • L
    Lúcia_Magalhães

    Admiro quem mantém um olhar curious mesmo depois de tantos anos no meio.

  • T
    TavinhoPE

    Será que esses filmes teriam mais público se tivessem marketing maior? Acho que muita gente nem sabe que existem.

  • C
    CinemaSilent

    O Recife realmente respira cultura. Não é à toa que atrai pessoas como ele.

  • B
    Bia_Dantas

    Assisti a ‘Boi Neon’ por acaso e foi uma das melhores experiências. Precisamos de mais exposição para esses trabalhos.

  • F
    FilmeFino

    Entreter e fazer pensar não deveria ser um luxo. É o mínimo que o cinema pode oferecer.

  • R
    Rafa_Veríssimo

    Acho válido, mas confesso que ainda acho alguns desses filmes slow demais. Talvez eu precise mudar meu ritmo.

O texto é baseado em fatos e reelaborado com fins de aprendizagem de inglês; as reações dos leitores são exemplos de diferentes perspectivas.

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