Câmara inspirada em olhos de insetos pode acabar com as saliências nos smartphones

Imagine um smartphone tão fino que mal sente no bolso — e com uma camera que capta imagens com um campo de visão mais amplo que o olho humano. Esse futuro pode estar mais perto graças a uma inovação da equipa do Korea Advanced Institute of Science and Technology (KAIST), que desenvolveu uma câmara ultrafina inspirada na visão de insetos.

Com apenas 0,94 milímetros de espessura — pouco menos que uma moeda de um euro — este dispositivo oferece um campo de visão de impressionantes 140 graus, superando a visão periférica humana. Ao contrário das traditional cameras , que empilham lentes para ampliar o ângulo e acabam ficando volumosas, a nova tecnologia alinha múltiplas lentes em ângulos distintos, cada uma captando uma parte da cena. Depois, o sistema combina essas imagens num painel único, tal como fazem os olhos compostos das moscas ou abelhas.

O resultado? Uma alta resolução aliada a uma visão angular ampla — sem as distorções típicas das câmaras grande-angulares, que costumam desfocar as extremidades. Nas fotografias de demonstração, a câmara conseguiu captar em alta definição um human face a 50 mm, modelos orais a 30 mm e até canais microfluídicos a 20 mm — detalhes essenciais para aplicações médicas.

A transferência da tecnologia já foi feita para a MicroPix Co., uma empresa especializada em imagem ótica, que planeia comercializar o sistema a partir do próximo ano. Os primeiros aplicativos devem surgir em endoscópios médicos, wearables e micro-robôs, onde o espaço é extremamente restrito e a precisão visual é crítica.

Mas ainda há perguntas em aberto. Os investigadores não revelaram como a câmara se comporta em condições de pouca luz ou se é capaz de gravar vídeo com qualidade. Também falta saber o custo de produção — um fator-chave para que empresas de eletrónica de consumo a adotem. Por enquanto, a promessa está no desenho: uma mudança de paradigma na miniaturização de sistemas óticos, que pode, um dia, fazer desaparecer aquela saliente da câmara dos nossos telefones.

Comentários 8

  • O
    OlhoNoFuturo

    140 graus com 0,94 mm? Isso é loucura. Se for produzida em massa a um custo razoável, vai revolucionar dispositivos médicos. Imagina endoscopias com menos invasividade.

  • P
    PixelFixo

    Mas e a performance em pouca luz? Câmaras miniaturas costumam ter dificuldades com noise e alcance dinâmico. Até ver testes reais, fico céptico.

  • G
    GadgetLover

    Por favor, façam os próximos smartphones finos outra vez. Estou farto de dispositivos volumosos que parecem tijolos no bolso. Se essa tecnologia eliminar a saliente, já me conquistou.

  • B
    BioEng

    A aplicação em microfluídica é o que mais me entusiasma. Monitorizar fluxo de fluidos em tempo real com um sensor this small pode acelerar laboratórios-em-chip em anos.

  • C
    CineMaroto

    Se não gravar video bem, vai ser só mais uma novidade para fichas técnicas. Quero ver taxa de fotogramas, fidelidade de cor e velocidade de foco automático.

  • N
    NanoFan

    Inspirar-se em insetos é genial. A engenharia biomimética já resolveu tantos problemas de design. Será que podemos esperar drones com visão de inseto em breve?

  • R
    RealistaTech

    Tudo bem, a tecnologia é impressionante, mas o custo vai decidir tudo. Se for cara demais, só vai aparecer em dispositivos médicos de nicho — e não nos nossos gadgets.

  • F
    FocoNt

    Acho piada à ironia: estamos a tornar os cameras mais advanced copiando os olhos de moscas. Enquanto isso, as moscas observam tudo, imperturbáveis.