ALDI transfere funcionário de Lisboa para o Porto sem acordo: 'É um despedimento encapotado'

Um jovem trabalhador-estudante do ALDI, até há pouco empregado numa loja em Lisboa, viu a sua vida virada do avesso quando foi transferido de repente para o Porto — a mais de 300 kilometers de distância — sem qualquer acordo prévio. A decisão, tomada unilateralmente pela empresa, está a gerar ondas de indignação e levanta sérias dúvidas sobre o respeito por direitos laborais básicos.

Desde que chegou ao novo local, em 16 de March , o jovem terá sido alvo de intimidações constantes, segundo denúncias do sindicato e da CGTP. O objetivo? Forçá-lo a despedir-se por vontade própria, evitando que a empresa tenha de pagar compensações ou assumir uma demissão formal. Um despedimento encapotado, como se diz no meio laboral.

O CESP (Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal), que já tinha alertado para o caso em fevereiro, acusa o ALDI de silêncio e ausência de diálogo. Pediram uma reunião com a empresa, mas até agora só encontraram silence . Nenhuma explicação, nenhuma negociação — apenas uma decisão unilateral que desestabilizou completamente a vida do funcionário, que não tem rede de apoio na cidade.

Legalmente, o terreno não está a favor do ALDI. O Código do Trabalho é claro: uma transferência só é válida se houver necessidade do interesse da empresa e se não implicar prejuízo sério para o trabalhador. E mudar alguém de Lisboa para o Porto — longe da família, da universidade, dos amigos — é exatamente isso: um prejuízo sério. Nesses casos, o trabalhador tem o direito de resolver o contrato e receber compensação.

Na sexta-feira, dia 10 de Abril, o secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, junta-se a uma ação de protesto marcada para o ALDI de Ramalde, no Porto. Entre as 9h00 e as 9h30, vão exigir explicações e justiça para um caso que já vai longe demais. Enquanto isso, o ALDI ainda não respondeu oficialmente. Mas o relógio está a correr — e a reação pública já começou.

Comentários 8

  • A
    AnaPorto7

    Isto é absurdo. Forçar alguém a despedir-se com intimidação? Já não vivemos nos anos 80. Se o empresa quer reduzir custos, que o faça com dignidade e respeito.

  • R
    RuiNoSuper

    Trabalhei num supermercado durante a faculdade e sei como é. Um salário baixo, pressão constante, e zero segurança no emprego. Isto não é caso único — é o modelo de negócio de muitas cadeias.

  • C
    CatarinaLX

    Como é que o ALDI pode transferir alguém 300 kilometers sem consulta? Isso é violação clara do Código do Trabalho. O Ministério do Trabalho devia investigar já.

  • J
    JoãoSemFiltro

    Se calhar o rapaz simplesmente não estava a render. Em vez de o despedir com compensação, arranjaram esta saída suja. Nem sequer é novidade. Chama-se despedimento coactivo.

  • M
    MartaNaLuta

    Estarei lá no protesto em Ramalde. Isto não é só por um trabalhador. É por todos os jovens que são tratados como descartáveis só porque precisam de um emprego.

  • P
    PedroContas

    ALDI é famoso por preços baixos, mas quem paga a conta no final? Os employees . Lucro em cima da exploração? Não, obrigado.

  • S
    SofiaEstag

    Eu mudei de cidade por um emprego e foi difícil. Mas foi por escolha minha. Imaginem serem obrigados a mudar tudo, sem apoio, e ainda pressionados a desistir? Não é humano.

  • N
    NunoOliveira

    O silence do ALDI é revelador. Se estivessem do lado da legalidade, já teriam emitido um comunicado. O estratégia é esperar que o caso morra. Mas desta vez não vai ser assim.