Irã nunca abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz: BBC entrevista ex-comandante da Guarda Revolucionária em Teerã

"Nunca." Essa foi a resposta categórica de Ebrahim Azizi, ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) e parlamentar influente, quando questionado pela BBC sobre a possibilidade de Teerã abrir mão do controle do Estreito de Ormuz. Em entrevista em Teerã, Azizi afirmou que o controle sobre a passagem marítima é um right inalienável do Irã, destacando que o país decidirá quem pode ou não atravessar essa rota estratégica. A declaração não é apenas retórica: um projeto de lei está sendo apresentado no parlamento iraniano para consagrar legalmente esse controle, com base no artigo 110 da Constituição, que abrange segurança marítima, national security e proteção ambiental.

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, tornou-se uma strategic leverage central para o Irã. Após semanas de conflito militarizado, com ataques israelenses e resposta via drones e mísseis, a IRGC fortaleceu seu papel político. Azizi descreveu o estreito como "um de nossos trunfos para enfrentar o inimigo", evidenciando uma mudança de postura: o controle não serve apenas como moeda de troca em negociações, mas como uma long-term tool de influência geopolítica. Para Mohammad Eslami, pesquisador da Universidade de Teerã, restaurar a dissuasão é a principal prioridade pós-guerra — e o estreito está no centro dessa security policy .

A posição iraniana, no entanto, é vista com extrema preocupação por países do Golfo. Anwar Gargash, conselheiro diplomático dos Emirados Árabes Unidos, classificou a ameaça de controle unilateral como um "ato de pirataria hostil" e alertou sobre um dangerous precedent para outras vias navegáveis globais. Já Azizi rebate com sarcasmo: os EUA, diz ele, são "os maiores piratas do mundo" por manter bases militares na região. A tensão se acentuou após uma declaração do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, nas redes sociais, afirmando que o estreito estava "completamente aberto" — o que gerou críticas imediatas de veículos ligados à IRGC, que viram na mensagem uma misleading signal e uma oportunidade dada a Donald Trump para se declarar vencedor.

Internamente, a unidade do regime é posta em xeque. Embora Azizi negue divisões, a reação contundente à postura de Araghchi mostra fissuras entre diplomatas e militares. Enquanto isso, os EUA preparam uma nova rodada de negociações em Islamabad, liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, mas o Irã condiciona sua participação à suspensão do bloqueio a seus portos. Ao mesmo tempo, o apagão digital dentro do país continua, com restrições severas ao acesso à internet para a maioria dos cidadãos — uma medida que Azizi justifica com base na public safety , dizendo que será suspensa apenas "quando for seguro". O contexto interno inclui ondas de prisões e execuções de manifestantes, com o governo atribuindo os protestos à interferência de agências estrangeiras como a CIA e o Mossad.

Reações 8

  • L
    Luis_Costa

    O controle do Estreito de Ormuz não é só uma questão de national pride , é uma carta geopolítica poderosa. Mas será que vale o risco de uma nova crise global?

  • T
    Tereza_M

    Enquanto os líderes discutem strategic control , a população sofre com o apagão digital e repressão. Prioridades bem distorcidas.

  • F
    Fernando_P

    Chamar os EUA de 'piratas' enquanto bloqueiam uma rota internacional é pura hipocrisia. Isso não é diplomacy , é chantagem com bandeira.

  • J
    Julia_R

    O fato de Araghchi ter sido repreendido pela IRGC mostra que o poder real está com os militares, não com o governo civil. Isso é um sinal de desequilíbrio institucional grave.

  • M
    Marcos_Silveira

    Trump responder com 'OBRIGADO' em caixa alta? Um political circus que só piora a tensão. Nada de novo.

  • A
    Aline_K

    O Irã tem direito à defesa, mas usar o estreito como bargaining chip afeta milhões. O custo humano e econômico não pode ser ignorado.

  • D
    Diego_N

    Se o cessar-fogo é frágil, por que intensificar o controle digital e as prisões? Isso não é peace process , é controle social disfarçado.

  • C
    Camila_T

    Alguém acredita que Omã vai continuar neutro se a pressão aumentar? A região inteira pode entrar em colapso com um único movimento errado. Estabilidade regional nunca esteve tão em risco.

O texto é baseado em fatos e reelaborado com fins de aprendizagem de inglês; as reações dos leitores são exemplos de diferentes perspectivas.

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