Fábrica da Stellantis no Canadá será usada para montar carros chineses e gera polémica

A fábrica da Stellantis em Brampton, Ontário, passará por a change que está a gerar forte pressão sobre o tecido industrial canadiano. Em vez de produzir veículos com peças locais e alto valor agregado, a unidade será usada para montar carros elétricos da Leapmotor, marca chinesa da qual a Stellantis detém 20%. Esta decision transforma uma das fábricas mais emblemáticas do país numa operação CKD — Completely Knocked Down — onde os carros chegam praticamente desmontados da China para serem reconstituídos no local.

Durante décadas, a produção automóvel no Canadá beneficiou de acordos como o NAFTA e, mais tarde, o USMCA, permitindo exportações sem tarifas para os EUA. Agora, a market do Canadá a veículos chineses, com taxas de apenas 6,1% — contra 100% nos EUA — tornou o país um canal estratégico de entrada no mercado norte-americano. Essa advantage explica o interesse da Stellantis, mas levanta dúvidas sobre o real impact económico para a região.

O projeto promete poucos empregos e baixo valor industrial, o que irritou sindicatos e autoridades. Flavio Volpe, presidente da APMA — associação que representa os fornecedores automóveis —, acusou a empresa de querer transformar a fábrica numa simple assembly , comparando-a a uma operação de móveis da IKEA. Para ele, a proposta está longe de ser um new investment que gere riqueza local, como seria a produção integral de elétricos com componentes nacionais.

A ministra da Indústria, Melanie Joly, reforçou a posição do governo, dizendo que veículos montados em operações CKD devem continuar a ser tratados como imports . A mensagem é clara: o Canadá não vai facilitar a loophole fiscal para produtos chineses, mesmo que isso signifique desagradar a um dos maiores fabricantes automóveis do mundo. O caso coloca em momento crítico a relação entre soberania industrial e estratégias corporativas globais.

Comentários 6

  • P
    PauloM

    Isto não é produção, é desmontagem e remontagem. O real cost será para o emprego qualificado.

  • A
    AnaCarolina

    Enquanto os EUA barram os carros chineses com taxas altas, o Canadá abre a porta. Será fair play ou apenas conveniência?

  • R
    RuiS

    Transformar uma fábrica completa numa assembly line é um retrocesso industrial claro.

  • C
    ClaraN

    A public trust nas grandes montadoras já está em baixa. Agora piora.

  • E
    EduardoF

    Se as peças vêm todas da China, qual é exatamente o local benefit desta operação?

  • M
    MartaL

    O governo precisa mostrar que está a proteger a national industry , não só interesses corporativos.