Estagflação à Vista? O Preço do Petróleo e o Gasto que Não Para
O fantasma da estagflação volta a rondar a economia brasileira, não como um pesadelo distante, mas como um risco concreto nascido da tríplice pressão: inflação teimosa, oil caro e gastos do governo em alta. Com o barril do Brent flertando os US$ 100 por causa da escalada no Oriente Médio, cada litro de gasolina e cada quilômetro de caminhão carregam agora o peso de tensões globais. O Brasil, que já enfrentou décadas de crise econômica, conta com defesas reais — mas elas estão sendo corroídas por dentro, enquanto o central bank caminha a passos mínimos na redução dos juros.
Três trincheiras protegem o país: exportar mais oil do que importar, manter reservas cambiais robustas (US$ 371 bilhões em fevereiro) e oferecer um dos maiores juros reais do mundo — 9,5% ao ano. Esses fatores, segundo o Itaú e a Allianz, tornam o Brasil resilient frente a choques externos. Mas essa protection não é à prova de balas: enquanto o mundo oscila, o governo Lula amplia gastos com programas sociais como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia, apostando no estímulo da demanda.
A contradição é evidente. Enquanto o central bank tenta conter a inflação com juros altos, o governo empurra a economia com mais spending , exigindo ainda mais aperto monetário. Para José Márcio Camargo, da Genial Investimentos, qualquer nova pressão pode forçar o BC a elevar juros novamente, freando o crescimento. O risco? Uma armadilha clássica: estagflação, quando a economia para de crescer, mas os preços não param de subir — exatamente o que se viu nos anos 1970, quando bancos centrais hesitaram demais.
A história avisa: em 2014-2015, com petróleo em queda e gastos sociais fora de controle, o Brasil mergulhou em recessão e o desemprego atingiu quase 14%. Hoje, o cenário é inverso — o petróleo sobe, trazendo alívio nas contas externas — mas o gasto público segue em trajetória de colisão com a estabilidade. Como lembra Rodrigo Marques, da Nest Asset, o governo está no limite: não pode usar isenções fiscais para aliviar o choque, porque já está no limite do aperto. A expansion de 2026 pode adicionar 0,4 ponto percentual ao PIB, mas ao custo de uma dívida que ameaça ultrapassar 87% do PIB — e de uma margem cada vez menor para manobras.
Acho que o government governo está jogando no curto prazo. Popularidade sim, mas e daqui a dois anos?
Será que o aumento do Bolsa Família não é essencial, mesmo com o risco fiscal? Muita gente depende disso.
Juros altos congelam investimento. Isso vai matar o growth crescimento antes da inflação cair.
O Brasil precisa de reformas estruturais, não só de spending gastos ou cortes de juros. Isso é paliativo.
Se o petróleo cair de novo, perdemos o benefício das exportações e ficamos com a conta do gasto alto. Armadilha perfeita.
A memória curta do poder público é assustadora. Já esqueceram 2015?