Ransomware avança com incentivos financeiros mais agressivos
Um novo grupo de cybercrime , batizado de The Gentlemen, está a dominar o cenário global de ataques de ransomware com um modelo de negócios tão agressivo quanto eficaz. Segundo a divisão de investigação de ameaças da Check Point, o grupo emergiu em meados de 2025 e, em poucos meses, já reivindicou mais de 320 vítimas — sendo que, apenas nos primeiros meses de 2026, realizou 240 ataques. Contudo, os dados internos apontam para uma realidade ainda mais sombria: um servidor de comando e controlo analisado revelou um botnet com mais de 1.570 organizações comprometidas, muito acima do número divulgado publicamente.
O rápido crescimento do grupo não se deve a uma technical innovation revolucionária, mas sim a um modelo económico altamente competitivo. The Gentlemen oferece uma divisão de receitas de 90% para o afiliado e apenas 10% para o operador — um claro desvio do padrão de mercado de 80/20. Essa financial incentive tem atraído até mesmo operadores experientes de grupos como o LockBit. Junto com esse atrativo, o grupo disponibiliza um conjunto robusto de ferramentas, incluindo encriptadores para Windows, Linux e ambientes virtualizados, além de mecanismos para desativar security solutions e movimentar-se lateralmente nas redes.
Setores como a Indústria e a Tecnologia concentram a maioria das vítimas, mas é a crescente presença no setor da Saúde que mais preocupa. Ao contrário de alguns grupos que evitam serviços críticos por pressão ética ou public pressure , The Gentlemen não demonstra restrições. Geograficamente, os Estados Unidos lideram em número de incidentes, seguidos pelo Reino Unido e Alemanha. A maioria dos acessos inicia-se através de dispositivos expostos à Internet — como VPNs e firewalls — sem atualizações de segurança, um vetor simples, mas ainda amplamente explorado.
Num dos casos analisados, os atacantes já tinham privilégios de administração de domínio quando foram detetados. A partir daí, a intrusão seguiu um padrão estruturado: reconhecimento da rede, execução remota de comandos e disseminação do malware por políticas de grupo, resultando na encriptação quase simultânea de todos os sistemas do domínio. Foram usadas ferramentas como Cobalt Strike e Mimikatz, e os atacantes desativaram antivírus e firewalls, garantindo persistence com software de acesso remoto.
O próprio malware é projetado para ambientes empresariais: permite ajustar a velocidade de encriptação, selecionar alvos e automatizar a propagação. Em infraestruturas virtualizadas, interrompe máquinas virtuais antes da encriptação, maximizando o operational impact . O esquema criptográfico combina algoritmos modernos e elimina cópias de segurança e registos de eventos, dificultando a recuperação e a investigação. Para Rui Duro, da Check Point em Portugal, o caso mostra que o risco atual vem menos da sofisticação técnica e mais da combinação entre modelos de negócio atraentes e falhas básicas de segurança nas organizações.
Este caso ilustra uma tendência crescente: o cibercrime está a evoluir com base em economic models eficientes, não apenas em tecnologia avançada. A prevenção continua a ser a melhor defesa — com atualizações regulares, visibilidade sobre movimentos internos na rede e o uso de inteligência de ameaças. A security gap mais explorada ainda é humana e administrativa, não técnica.
90% para o atacante? Isso é um recruitment strategy estratégia de recrutamento perfeita. Não é à toa que estão a crescer tão rápido.
E o setor da Saúde já está no alvo... É uma questão de tempo até um ataque causar um dano direto a doentes. A public safety segurança pública está em risco real.
VPN sem atualização? Sério? Em 2026 e ainda há redes com isso exposto? O problema não é o malware, é a basic hygiene higiene básica de TI.
O pior é que os afiliados podem ser pessoas com pouco conhecimento técnico. Com esse kit todo pronto, até um amador consegue causar estragos. O barreira de entrada caiu drasticamente.
Estamos a tratar o sintoma e não a causa. O lucro do crime está a ser maior que o risco. Enquanto isso não mudar, o security landscape cenário de segurança só piora.
Alguém sabe se já houve alguma resposta coordenada entre governos? Ou estamos só esperando o próximo grande ataque para reagir?