O fim de um ícone: primeira loja da Zara cede lugar a um supermercado
No cruzamento movimentado da Rua Juan Flórez com a Avenida Arteixo, em La Corunha, um capítulo simbólico da história do retail europeu chega ao fim. O espaço onde nasceu a primeira loja da Zara, inaugurado a 9 de maio de 1975, será substituído por um supermercado da cadeia Dia — conhecida em Portugal como Minipreço até 2023. A mudança, confirmada pelo jornal espanhol "Cinco Días", não é apenas uma troca de tenant , mas um sinal tangível da evolução do comércio urbano e das strategy de expansão das grandes marcas.
Fundada por Amancio Ortega, a loja original tinha cerca de 300 metros quadrados — um size hoje considerado insuficiente para a abordagem atual da Inditex, que prioriza lojas maiores, mais tecnológicas e estrategicamente posicionadas. A decisão de encerrar não reflete qualquer financial pressure : em 2025, o grupo registou receitas próximas dos 40 mil milhões de euros e lucros superiores a seis mil milhões. Na verdade, a Zara já opera na mesma cidade um espaço de mais de 2000 metros quadrados, alinhado com a nova business model e com iniciativas como os Zacaffé.
O fecho da loja histórica não teve impacto imediato nos postos de trabalho: os 11 funcionários foram realocados em outras unidades locais, uma medida que atenuou as concerns sociais. Ainda assim, o simbolismo do gesto pesa. Em La Corunha, cidade fortemente ligada à génese da Inditex, a mudança é vista como o fim de uma era — um legacy que ajudou a redefinir a moda de fast fashion a nível global.
O espaço será agora ocupado pela Dia, que planeia manter o mesmo footprint de cerca de 300 metros quadrados e empregar cerca de dez pessoas. A cadeia, focada em daily consumption , reforça assim a sua presença na região, onde já detém oito lojas. Este movimento insere-se num plano mais amplo de expansão, com a inauguração de 100 novos supermercados previstos em Espanha — um claro signal de que a conveniência e a proximidade estão a ganhar terreno face aos grandes formatos tradicionais do comércio.
É o fim de uma era mesmo. Cresci vendo aquela loja como um ícone. Trocar saias por fresh produce frescos é surreal.
A Inditex está a apostar em eficiência, não em nostalgia. Menos lojas, maior turnover rotatividade. Faz sentido do ponto de vista de negócio.
Mas será que o comércio local ganha com isso? Um supermercado traz conveniência, mas perde-se o brand identity carisma da marca original.
A Zara já tem uma loja enorme ali perto. O espaço antigo era pequeno demais. Era só uma questão de tempo.
Interessante ver a Dia a crescer enquanto outros retalhistas recuam. Será que a market shift mudança de mercado favorece o bairro em vez do centro comercial?
A nostalgia é bonita, mas o lucro é que drives move as decisões. E os números da Inditex estão fortes.
E os trabalhadores? Pelo menos foram todos realocados. Isso é um positive outcome resultado positivo num cenário de mudança.
Será que a Dia vai manter alguma homenagem ao passado do local? Seria um bom gesto de local connection ligação à comunidade.