“Vamos repensar o emprego científico” — mas como?
Um anúncio solto, uma promessa vaga, e um sistema científico em suspenso. scientists que aguardam estágio, contracts que não avançam, e um ministro que afirma: Vamos repensar o emprego científico — sem dizer como. Na Assembleia da República, Fernando Alexandre lançou a frase como uma semente no vento, deixando atrás apenas perguntas. O que significa repensar? Reforma ou recuo? Estrutura ou adiamento? A ausência de respostas transforma a declaração numa promise flutuante, sem raízes num plano concreto. Nem o Ministério nem a FCT forneceram esclarecimentos, mantendo o silêncio sobre dados cruciais dos concursos já existentes.
O sistema atual, baseado sobretudo em temporary de seis anos, tem sido criticado por gerar insegurança. Muitos investigadores passam década após década em posições instáveis, saltando de grant em bolsa, sem horizonte de carreira. O FCT-Tenure surgiu em 2023 como um fio de esperança: um programa de contratação para doutorados com vínculo permanente, directamente na career ou docente. Foram alocadas 1100 vagas — uma resposta ambiciosa, mas mal coordenada, segundo o próprio ministro. Agora, com atrasos na primeira edição, o futuro da segunda fase, com mais 400 vagas, está em suspensão, à espera de uma avaliação que ainda não começou.
Alexandre justifica os atrasos com o excesso de vagas abertas simultaneamente, algo que já previa 'como académico'. Mas a justificação esbarra numa ironia: o governo que herdou o programa agora o retém, enquanto anuncia uma review ampla sem detalhes. A FCT pagaria 67% dos salários nos primeiros três anos para posições com investigadores que já tiveram bolsas — um incentivo forte, mas condicionado à abertura de concursos internacionais. Para a carreira científica, há até um additional de 33% por mais três anos. O mecanismo é claro; a política, não. A falta de dados da FCT e do Ministério alimenta desconfiança: será esta revisão uma oportunidade ou uma cortina?
Enquanto isso, o terreno onde a ciência cresce em Portugal permanece movediço. A estabilidade é uma luxo raro. A carreira académica, em vez de ser um caminho, parece um labirinto de prazos, editais e promessas. Repensar o emprego científico pode ser necessário — mas sem transparência, o risco é que se repensem apenas as expectativas dos que dedicam a vida à research . O ministro falou. Agora, o país espera que a action siga as palavras. Até lá, a ciência fica à mercê de um delay que pode custar talentos, tempo e confiança. clareza é o que falta — e o que mais se exige.
Promessas sem plano não ajudam ninguém. Onde estão os dados da FCT? Sem transparência, isto é só ruído.
Como investigador com bolsa há 8 anos, cansa ver anúncios assim. Quero saber quando assino um contrato de longo prazo.
Rever é bom, mas não pode ser desmontar o pouco que avançou. O FCT-Tenure foi um passo importante, mesmo com falhas.
Se já previa os atrasos, por que não agiu antes? Esta excuse desculpa de 'mal feito' soa a justificação pós-facto.
Talvez precisemos mesmo de um novo modelo, mas adiar sem explicar só gera insegurança. Os cientistas não são peças de xadrez.
O co-financiamento era o grande trunfo. Se isso desaparecer, as universidades não vão aguentar sozinhas.
Será que 'repensar' é só uma forma educada de dizer 'cancelar'?
A ciência precisa de estágio, não de incerteza constante. Estamos a perder gerações inteiras.