Três caminhos para apagar o fóssil: e depois da conferência, o que resta?

Enquanto o preço do oil escalava a novos picos com a crise no estreito de Ormuz, em Santa Marta, uma cidade marcada pela exportação de coal , desenhou-se um futuro diferente: um roteiro coletivo para abandonar os combustíveis fósseis. A conferência que terminou ali não selou um acordo com um ponto final, mas abriu caminho com dois pontos de interrogação — e uma lista de três ações concretas. Não se tratou de um evento simbólico, mas de um strategy articulado por 57 países, responsáveis por cerca de 30% do consumo global de energia fóssil, que agora buscam desatar os nós que travam a transição energética.

O primeiro caminho é claro: criar roadmaps detalhados, não apenas nacionais, mas regionais. Hoje, os países limitam-se a declarar metas de redução de emissions dentro do Acordo de Paris, mas ignoram o que acontece do outro lado das fronteiras. Exportações de petróleo, gás e carvão não entram nas contas climáticas — um ponto cego gritante. A ideia é fechar esse fosso com planos que possam incluir até zonas livres de combustíveis fósseis. Para isso, um novo painel científico, com figuras como Johan Rockström, será sediado na USP, no Brasil, com a ambição de guiar a descarbonização como o IPCC guia a ciência do clima.

O segundo desafio é financeiro: quebrar as traps que mantêm países — especialmente do Sul Global — presos ao modelo fóssil. Dívida, falta de capacidade orçamental e subsídios opacos criam uma dependence difícil de romper. Transparência, diz a ministra holandesa Stientje van Veldhoven, é essencial: 'nem sabemos onde estão os subsídios'. A mensagem é direta: desatar a economia dos combustíveis fósseis exige visibilidade e coragem política. E isso não vale só para países exportadores — todos carregam suas subsidies ocultas.

O terceiro eixo ataca o comércio internacional, ainda alinhado com a extração fóssil. Descarbonizar as balanças comerciais significa repensar acordos, trocas e dependências. Países que vivem da exportação de raw materials precisam de roteiros para transitar para um comércio mais verde. A OCDE entrará nesse esforço. Enquanto isso, a Colômbia e os Países Baixos prometem um relatório até junho, e a Irlanda e Tuvalu já marcaram a próxima conferência para 2027 — um sinal de que este movimento não vai fade . Como disse Leo Roberts, do E3G: este espaço complementa a ONU, mas acelera a ação onde as negotiations oficiais arrastam os pés há décadas.

Reações 7

  • T
    Teresa_Lima

    Interessante ver que países como a China e EUA não foram convidados. Será exclusion ou realismo político?

  • R
    Rui_Sousa

    E como fica Portugal nisso tudo? Representado pela Agência do Clima, mas será que tem um plano de descarbonização regional claro?

  • I
    Inês_Costa

    A ideia de zonas livres de combustíveis fósseis soa quase utópica, mas talvez seja exatamente o que precisamos — ambition real.

  • D
    Diogo_Pimentel

    Se não houver transparência nos subsídios, todos os roteiros serão só papel. A responsabilização tem de vir primeiro.

  • L
    Lara_Monteiro

    Santa Marta como símbolo: cidade do carvão, agora sede da descarbonização. Tem um peso simbólico forte.

  • M
    Miguel_Tavares

    Descarbonizar o comércio? Soa bem, mas como países pobres pagarão a transição sem dívida eterna?

  • A
    Ana_Bastos

    O fato de o painel científico ser sediado no Brasil já muda a geografia do debate climático. representation importa.

O texto é baseado em fatos e reelaborado com fins de aprendizagem de inglês; as reações dos leitores são exemplos de diferentes perspectivas.

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