Um painel para salvar o futuro: a ciência entra em cena
Em meio ao burburinho de Santa Marta, onde líderes, cientistas e ativistas se reúnem sob um sol pesado, uma nova esperança toma forma: o panel científico dedicado exclusivamente à transição energética. Batizado de SPGET — Painel Científico para a Transição Energética Global —, o grupo surge como uma resposta urgente ao vácuo deixado por anos de decisões políticas alheias à evidence científica. Afinal, enquanto o clima acelera sua crise, a política muitas vezes caminha a passos lentos, guiada por interesses econômicos e hesitações. Agora, com vozes como as de Carlos Nobre e Johan Rockström, a ciência quer retomar seu papel de guide nas rotas da descarbonização.
O SPGET não é apenas mais um comitê técnico: é uma ponte, como bem definiu Rockström, entre países que já avançam rumo ao futuro energético e aqueles presos ao passado dos combustíveis fósseis. A proposta é clara — reunir knowledge robusto nos próximos cinco anos para que cidades, regiões e nações possam dar o chamado 'grande salto'. Mas o desafio é imenso. Afinal, como transformar dados em ação? Como garantir que um report não acabe arquivado, como aconteceu com o do IPCC na COP24? Para Claudio Angelo, coordenador do Observatório do Clima, a resposta está em integrar a ciência diretamente aos processos políticos, como a futura COP30, que terá o Brasil como anfitrião — uma oportunidade histórica.
A conferência em Santa Marta, com 57 países e cerca de 4.200 organizações, não trata apenas de energia, mas de transformação econômica, justiça social e cooperação internacional. Os eixos do evento refletem a complexidade do tema: mudar a oferta e a demanda de energia exige mais do que tecnologia — exige will política. A ministra colombiana Irene Vélez Torres destacou que o SPGET é o primeiro organismo a focar exclusivamente na superação dos fósseis, preenchendo uma lacuna que persistia há décadas. Já a holandesa Van Veldhoven reforçou o peso dos presentes: países responsáveis por mais de 50% do PIB global, unidos por uma causa comum em tempos de volatilidade nos mercados de energia.
Mas nem todos acreditam que a ciência sozinha possa mover montanhas. Kumi Naidoo, ativista sul-africano, alerta: sem acordos juridicamente vinculantes, os esforços científicos podem se perder no discurso vazio. Afinal, o que adianta ter os melhores dados se não houver mechanism para executá-los? O SPGET pretende acompanhar a implementação das políticas, mas o verdadeiro teste será na prática. Será que a política finalmente vai ouvir a ciência — ou relegará mais uma vez o conhecimento ao papel de mero advice decorativo? A próxima década dará a resposta, e o mundo inteiro estará de olho.
O que está em jogo não é apenas a estabilidade climática, mas a credibilidade do processo global de tomada de decisões. A transição energética, como bem lembraram os cientistas, envolve economia, meio ambiente e, acima de tudo, justiça social. O SPGET surge num momento crítico, em que a confiança entre ciência e política precisa ser reconstruída. Se for bem-sucedido, poderá se tornar o novo modelo de como o conhecimento deve orientar o poder — não como imposição, mas como collaboration . E talvez, finalmente, a ciência deixe de ser convidada de honra para se tornar protagonista.
Finalmente uma iniciativa que coloca a ciência no centro. Já era hora de parar de ignorar os findings achados do IPCC.
Mas será que 'grande salto' é realista? Precisamos de implementação, não só de boas intenções.
A presença de Nobre e Jannuzzi é um orgulho nacional. Mostra que o Brasil tem voz nisso tudo.
E se os governos simplesmente não seguirem as recomendações? O painel tem poder de imposição?
A conferência em Santa Marta parece séria. 57 países e 4.200 organizações não estão lá só pra foto.
Vinculante é a palavra-chave. Sem lei atrás, tudo vira rhetoric retórica.
Impressionante como a ciência demora a ser ouvida. Anos de alertas ignorados.
Será que o SPGET vai durar mais que uma COP ou é só mais um initiative iniciativa efêmera?