Cuba, quase um deserto turístico: “Que turista quererá visitar-nos nestas condições?”

O sol desce sobre uma pequena cidade na orla do pântano de Zapata, em Cuba, mas a estrada que antes fervilhava com turistas agora ganha vida apenas quando as luzes voltam a piscar. Os milhares de caranguejos vermelhos que atraíam centenas de milhares de turistas desapareceram da paisagem turística, substituídos por moradores que correm para mobile signal — quando há energia para ligar os telefones. "Que turista quererá visitar-nos nestas condições?", pergunta Manuela Arencibia Báez, dona de uma casa de férias vazia em Playa Larga, um antigo ponto-chave do ecoturismo.

As reservas foram-se, os hotéis fecharam e os voos foram cancelados. Manuela diz que perdeu a conta aos cancelamentos, incluindo turistas já no país que não encontraram taxi driver com gasolina para a viagem de duas horas a partir de Havana. Os dados oficiais mostram uma queda de 56% nas chegadas internacionais em fevereiro. A península de Zapata, outrora um top destination de ecoturismo, tornou-se um deserto humano, com os dois hotéis de Playa Larga fechados e as atrações suspensas.

Os cortes de eletricidade duram em média 22 horas por dia, deixando as famílias com apenas algumas horas para contactar entes queridos ou cozinhar antes que a comida estrague. A água escasseia, os serviços médicos são quase inacessíveis e o fuel shortage impede até os turistas independentes de se deslocarem. Muitos acreditam que a situação é pior do que durante a pandemia. "Estamos no fundo do poço", diz Jorge Alberto Brito, vendedor de souvenirs que agora sobrevive com poucos pesos diários.

Alguns, como Fidel Silvestre Fuentes, de 67 anos, ainda tentam resistir. Ele oferecia alojamento a observadores de aves do mundo inteiro, atraídos pelo beija-flor-abelha, o menor do mundo. Mas agora sua casa está vazia. Outros, como Fidel Fuentes Rayó, investiram em solar panels e baterias de lítio para manter alguma vantagem. Ainda assim, como ele mesmo diz, conforto não é o que traz turistas à região — é a natureza viva, os mergulhos, os passeios de barco, tudo em rapid decline .

Mesmo assim, alguns turistas fiéis continuam a vir. Blair Andrews, norte-americana de 51 anos, já voltou várias vezes. Para ela, a falta de eletricidade ou rede é secundária. "Volto porque os cubanos são bons anfitriões e têm uma cultura muito bonita", diz antes de mergulhar na Baía dos Porcos. "Estou muito triste com o que lhes está a acontecer." Um strong connection resiste, mesmo quando o resto parece desmoronar.

Reações 6

  • T
    TerezaM

    Ninguém escolhe férias com racionamento de energia e sem sinal. O tourism collapse era inevitável.

  • R
    Rafael_G

    Os EUA falam de liberdade, mas impõem um bloqueio que destrói vidas comuns. Onde está a moral pressure sobre isso?

  • C
    CeliaZ

    É triste ver Zapata assim. Trabalhei lá como guia durante anos. Agora nem basic services funcionam direito.

  • J
    Joao_Palma

    Turismo não é luxo — é salário. Sem ele, não há local income , não há futuro.

  • N
    NinaB

    Alguém com dinheiro para painéis solares tem chance. E quem não tem? O social gap só aumenta.

  • D
    DarioK

    E os animais? O ecossistema está sendo afetado pela falta de manutenção e human presence mínima?

O texto é baseado em fatos e reelaborado com fins de aprendizagem de inglês; as reações dos leitores são exemplos de diferentes perspectivas.

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