O preço da colheita: como Roraima cresce com a terra — e contra ela
agricultural não é apenas uma atividade econômica em Roraima — é um engine que impulsiona o estado, mesmo sob o peso de tensões crescentes. Em 2024, o setor ocupou 169,4 mil hectares, gerando um valor bruto de R$ 1,72 bilhão. Embora represente apenas 0,17% da área agrícola nacional, o ritmo de expansão é intenso: entre 2015 e 2024, houve um salto de 42% na ocupação de terras para fins farming e pecuários. Por trás desse crescimento, no entanto, escondem-se contas ambientais pesadas — e um futuro que exige escolhas. O que sustenta a economia também ameaça o ecossistema que a suporta.
soybeans é a estrela do palco: domina 69% da área plantada e responde por quase metade do valor da produção. Milho, arroz, banana e mandioca completam o elenco principal, enquanto a pecuária movimenta números robustos — 1,29 milhão de bovinos, 92,1 mil suínos e 19,6 mil vacas ordenhadas. Mas esse desempenho tem um custo em emissões: a pecuária sozinha lançou 2,58 milhões de toneladas de CO₂ equivalente no ar, com os cattle responsáveis por mais de 93% do total. A média de 1,87 tonelada por animal supera a nacional — um indicador de intensidade que ecoa no clima e no solo.
O avanço das pastures , que hoje ocupam 88,3% das áreas agropecuárias, caminha lado a lado com o desmatamento. Entre 2015 e 2024, mais de 416 mil hectares de floresta foram convertidos, e em 2024, o estado perdeu 23,6 mil hectares de cobertura vegetal — 99,7% devido à agropecuária. Ao mesmo tempo, 2,5 milhões de hectares foram atingidos por wildfires , colocando Roraima entre os líderes trágicos em focos de fogo no país. A devastação não é apenas uma marca no mapa: é um sinal de alerta para um modelo que pode estar comendo sua própria base.
As mudanças climáticas já batem à porta com força. Secas mais intensas afetam diretamente culturas-chave como soja, milho, arroz, banana e mandioca, reduzindo productivity e tornando a renda do campo cada vez mais volátil. Os pequenos e médios produtores, com menor capacidade de resiliência, são os mais vulneráveis. As emissões do setor agrícola somaram 339,7 mil toneladas de CO₂ equivalente, com média de 2,01 toneladas por hectare — acima da média nacional. O ciclo se fecha: o setor que mais emite é também o mais atingido pelas consequências.
Ainda assim, há espaço para esperança. Mais de 70% das 1,13 milhão de hectares de pastagens em Roraima têm alto vigor, e cerca de 177 mil hectares de áreas degradadas podem ser recuperados. Modelos como a integration lavoura-pecuária-floresta e sistemas agroflorestais surgem como alternativas reais. Especialistas insistem: políticas de crédito para irrigação, assistência técnica e sustainable do solo são essenciais. O desafio não é congelar o desenvolvimento, mas redirecioná-lo — porque o verdadeiro progresso não desmata o amanhã.
O problema não é produzir, é how como produzimos. Se não mudar o modelo, vamos colher cada vez menos.
Roraima precisa de investimento em tecnologia, não só em terras. Irrigação poderia mudar tudo no período de seca.
99,7% do desmatamento por agropecuária? Isso não é expansão, é invasão.
Meu pai perdeu metade da roça de mandioca ano passado. A drought seca está piorando de verdade.
Os números de emissões são alarmantes, mas o artigo mostra que há caminhos. O potencial de recuperação é real.
Integração lavoura-pecuária-floresta precisa sair do papel. Já temos ciência, falta will vontade política.
Pequeno produtor não tem acesso a crédito nem assistência. O sistema favorece os grandes.
O solo aqui é frágil. Quando degrada, não volta fácil. Cada árvore derrubada é um passo para o deserto.