Moedas classifica petição de agentes culturais como 'ataque político' por acusar câmara de desvalorizar o 25 de Abril
Cerca de 600 agents culturais lançaram uma petição acusando a EGEAC de transformar o 25 de Abril, a "data maior" da democracia portuguesa, numa mera "festa da primavera". A crítica aponta para um process de esvaziamento simbólico nas comemorações municipais, com a ausência, pelo segundo ano consecutivo, do tradicional concerto noturno de 24 para 25 de Abril — um momento histórico que, segundo os signatários, está a ser substituído por uma programação leve e despolitizada.
Em resposta, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, classificou a petição como um political attack e uma tentativa de o diabolizar. Durante a reunião da Assembleia Municipal, Moedas destacou um investimento de quase um milhão de euros em 2024 para as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, com cerca de 100 initiatives , e afirmou que o município continua a apoiar a data com força, mesmo em anos não redondos.
Moedas também rejeitou o que chamou de "lições" sobre Abril, invocando uma memória familiar marcante: seu pai foi um jornalista perseguido pela PIDE, a polícia política do regime anterior. "O 25 de Abril para mim é fundamental, é parte da minha vida, eu não estaria aqui sem o 25 de Abril", afirmou, sublinhando que nunca interferiu nas decisions da EGEAC e que respeita a autonomia das entidades culturais.
A petição, intitulada "Festas de Abril sem Abril", é assinada por figuras de peso como Ana Sofia Paiva, João Monge e Cristina Branco, e argumenta que a forma como as festividades são hoje apresentadas — com foco no "regresso do sol" e da "boa disposição" — desloca completamente o core do significado histórico da Revolução dos Cravos. Para os peticionários, isso não é acaso, mas sim uma political responsibility do executivo municipal.
O debate expõe uma tensão crescente entre a gestão cultural municipal e setores da civil society que veem no 25 de Abril não apenas um feriado, mas um pilar vivo da democracia. A forma como se celebra o passado, argumentam, molda o presente — e o silêncio programático pode ser tão significativo quanto qualquer discurso.
Investimento não substitui simbolismo. Um milhão em iniciativas é bom, mas se nenhuma delas tem historical weight peso histórico, é só ruído.
Reduzir Abril a 'flores' e 'sol' é apagar memória. Isso não é festa, é apagamento.
Moedas tem direito à sua história, mas isso não isenta a câmara de responsabilidade. História pessoal não substitui política pública.
O pior não é cortar o concerto. É substituir a narrativa. Agora é tudo 'boa disposição', como se Abril fosse um comercial de iogurte. Inquietante.
Será que os agentes culturais querem mais espaço, ou estão a defender um public memory memória pública que sentem ameaçada?
O que acontece em Lisboa ecoa noutros lados. Quando as datas se tornam eventos de marketing, perdemos o critical spirit espírito crítico.