Quando a chuva para o trio, a luta continua: as Paradas LGBT+ que unem o Rio

Nas ruas de suburb carioca, onde o asfalto encontra a resistência de um povo que insiste em existir em plena luz do dia, a Parada LGBT+ de Madureira transforma cada desfile em um ato político. Não é só celebration : é ocupação, é visibilidade, é recusa em ser apagado. Para Rogéria Meneguel, presidente da organização, o desafio vai além da festa — é preciso suspender os fios elétricos dos postes para garantir a segurança, e quando chove, o espetáculo para. 'Já aconteceu de chover muito em um ano e a Parada não conseguiu andar. Ficou, literalmente, parada', diz ela. Desde então, o event foi transferido para o Parque de Madureira, um abrigo contra o clima e também contra a indiferença.

Enquanto Copacabana tem parade com cobertura e estrutura, Madureira luta com realidades diferentes — e menores recursos. Mas essa diferença não é motivo de derrota, e sim de união. É com esse espírito que lideranças de ao menos 35 municípios se reuniram no Encontro Estadual de Paradas do Orgulho LGBTI+, no centro do Rio, para trocar experience e fortalecer redes. Cláudio Nascimento, do Grupo Arco-Íris, lembra que o apoio entre cidades é essencial: 'É fundamental que as cidades maiores também deem sustentação e suporte político, institucional e cultural para as cidades com maior dificuldade'. Unidos, eles acreditam, é possível amplificar as vozes que insistem em ser ouvidas.

A luta não é apenas contra a chuva ou a falta de infraestrutura. Em Arraial do Cabo, Rafael Martins, do coletivo Arraial Free, enfrenta uma realidade ainda mais dura: a preconceito arraigado em uma região conservadora. 'O município ainda tem muitas pessoas preconceituosas, sabe? Mas estamos resistindo', afirma. Há 14 anos, ele organiza a Parada local, movimentando até os business para conseguir apoio — um engradado de água, um espaço, um sorriso. 'Não precisa ficar fissurado apenas na Prefeitura', diz. Para ele, a solidariedade local é tão poderosa quanto qualquer decreto. Cada parceria é um step rumo à visibilidade e às políticas públicas que a comunidade merece.

O encontro, promovido pelo Grupo Arco-Íris com apoio do Programa Estadual Rio Sem LGBTIfobia, também debateu temas como voluntariado, patrocínios, sustentabilidade ambiental e engajamento social. A ideia é construir um calendário estadual coletivo: já estão marcadas as Paradas de Arraial do Cabo (13 de setembro) e Copacabana (22 de novembro), com Madureira prevista para novembro. Ao final, será apresentada uma plenária com 25 recomendações para fortalecer os movimentos. Cláudio celebra: 'Hoje, são mais de 500 cidades brasileiras com Paradas'. No Rio, 38 dos 92 municípios já têm mobilizações — um número que, para ele, mostra resistência mesmo em tempos de restrição à liberdade de expressão.

Mais do que um desfile, a Parada é um ato de existência — e de resistência. Em cada rua ocupada, em cada trio que avança sob chuva ou sol, há uma mensagem: estamos aqui, somos muitos, e não vamos sair. As parcerias entre coletivos, o apoio mútuo entre cidades e a construção coletiva de estratégias mostram que a luta não é individual, mas coletiva. E mesmo diante dos desafios, a rede segue se fortalecendo — com hope , com raiz, com orgulho.

Reações 8

  • L
    luciana_mz

    Impressionante ver como cada detalhe, até suspender fios, vira parte da luta. O que parece logística é, na verdade, sobrevivência.

  • R
    rafa_arr

    Em Arraial, cada apoio é uma vitória. Um engradado de água pode parecer pouco, mas é symbolic .

  • T
    teobaldo92

    E se o clima atrapalhar em novembro? Será que vão manter no parque mesmo? Acho que sim, já que é mais seguro.

  • M
    marcela_correa

    Unidos somos mais fortes. Esse encontro mostra que a network LGBTI+ está viva e organizada.

  • D
    douglas_p

    Orgulho de ver o Rio liderando em número de mobilizações. Mas falta apoio real da prefeitura em muitos lugares.

  • A
    ana_paula_rj

    O preconceito ainda é alto, mas a resistência é maior. Parabéns a todos os organizadores!

  • J
    joao_victor

    Será que outras cidades podem copiar esse modelo de encontro estadual? Acho que sim, e deveriam.

  • C
    cida_madureira

    Madureira merece todo o brilho. Lá não é periferia, é heart do movimento.

O texto é baseado em fatos e reelaborado com fins de aprendizagem de inglês; as reações dos leitores são exemplos de diferentes perspectivas.

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