Governo gasta 40 mil euros em ferramenta para monitorizar jornalistas e enfrenta onda de críticas

O Governo de Luís Montenegro está a enfrentar críticas por uma new plan que muitos consideram um sinal preocupante para a liberdade de imprensa. A contratação da plataforma NewsWhip, por 40 mil euros, tem como objetivo rastrear o impacto de notícias e o engagement de jornalistas nas redes sociais, permitindo ao Executivo identificar quais comunicadores têm maior alcance online. Para o antigo secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Média Nuno Artur Silva, a medida é insólita e revela uma prioridade clara: a pressure para que a narrativa governamental se espalhe de forma eficaz.

A ferramenta, usada em vários países para análise de media impact , permite medir o alcance de conteúdos partilhados por jornalistas e classificá-los por influência digital. Segundo Silva, isso não é novo em si: políticos sempre tentaram perceber onde sua message teria mais força. "É o equivalente contemporâneo de ler colunas de opinião com mais leitores", explica. Mas agora, em vez de jornais, o foco está nas redes — e isso muda o scale do jogo.

O que incomoda, diz, é o valor gasto e a ausência de um plano claro para apoiar a própria comunicação social, que enfrenta financial crisis e desafios estruturais. "Parece que está o Governo mais preocupado em fazer a sua propaganda chegar de maneira eficaz", critica. "É, sobretudo, o Governo como produtor de conteúdos, e não é isso que é a prioridade de um Governo". A decision de investir nesta monitoring tool , em vez de em políticas de apoio ao jornalismo, soa como um desvio de public trust .

A reação não se fez esperar. O Sindicato dos Jornalistas já anunciou que vai pedir explicações ao ministro da Presidência, António Leitão Amaro. Luís Simões, presidente da entidade, questiona os riscos: "Esses rankings dos jornalistas farão o quê? Que alguns jornalistas possam ser privilegiados ou prejudicados no seu acesso à informação? Tudo isto pode ser muito perigoso". O temor é de que a risk real para a isenção e para a independence da imprensa — um pilar da democracia.

Reações 6

  • R
    RuiS

    Gastar 40 mil euros para saber quem tem mais seguidores? Isso não é política, é marketing barato. O public money devia ir para coisas reais.

  • A
    AnaPCosta

    A pressure para controlar a narrativa é óbvia. Primeiro é monitorar, depois é escolher quem merece ou não cobertura. Perigoso.

  • T
    Tono

    Claro que os governos sempre quiseram influenciar. Mas agora com dados? É um salto de nível na manipulação. A transparência some.

  • M
    MartaLeal

    O pior não é usar a plataforma, é não usar esse dinheiro para salvar jornais em crise. O support devia ser ao jornalismo, não ao controle.

  • Z
    ZéFilipe

    Alguém acha mesmo que isto vai ser usado de forma neutra? Claro que vão priorizar os que são mais simpáticos ao Governo. trust já está no chão.

  • L
    LiaNunes

    E se amanhã um jornalista que crítica muito o Governo aparecer com 'baixo impacto' nos relatórios? Será ignorado? O consequence é censura indireta.

O texto é baseado em fatos e reelaborado com fins de aprendizagem de inglês; as reações dos leitores são exemplos de diferentes perspectivas.

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