Hugo Soares: quem saiu do PSD para o Chega “nunca teve espaço por falta de qualidade”
Durante uma conferência sobre democracia na cidade da Praia, em Cabo Verde, o líder parlamentar e secretário-geral do PSD, Hugo Soares, fez uma afirmação contundente sobre as saídas de membros do partido para o Chega: quem partiu a change de sigla, segundo ele, nunca teve espaço por falta de qualidade. A frase ecoou como um julgamento seco, mas carregado de political tension , numa altura em que a migração de figuras entre partidos se tornou um sintoma visível da instabilidade do sistema.
Soares argumentou que os quadros que migram para partidos populistas não são figuras centrais nem influentes nos partidos tradicionais. "Vejam quantos líderes de partidos populistas nasceram tendo tido espaço nos partidos tradicionais", afirmou, sugerindo que o caminho do populismo é frequentemente trilhado por quem não conseguiu se destacar. Para ele, essa dinâmica revela um padrão: quem muda de partido costuma fazê-lo por falta de capacidade, muitas vezes por falta de carácter, e não por convicção ideológica. A pressure do escrutínio e a public trust são, na visão dele, distorcidas quando respondemos com excesso de transparência.
O exemplo de Rui Cristina, ex-deputado do PSD que se tornou presidente de câmara pelo Chega, e o caso de Lina Lopes, ex-dirigente das Mulheres Social-Democratas, são citados indiretamente como ilustrações dessa tese. Ambos deixaram o PSD e agora atuam em posições de relevo dentro ou com apoio do Chega. Apesar disso, Soares rejeita qualquer sentimento de perda: "nunca é de outra maneira", insistiu, reforçando que o partido não sente a ausência desses membros. A sua saída, para ele, confirma mais uma vez o risk de confundir ruído com real impact .
Mas o cerne da sua crítica vai além das figuras individuais. Soares alerta para uma tendency perigosa: a resposta defensiva dos partidos tradicionais ao populismo. Em vez de combater com propostas e good governance , muitos optam por aumentar o escrutínio sobre si mesmos, como se mais transparência resolvesse a desconfiança. "Se eles nos pedem a cor da camisa, nós queremos logo dizer a cor das meias", ironizou. Essa atitude, diz ele, destrói o necessary distance entre governantes e governados — não por arrogância, mas por função.
A solução, na sua opinião, exige courage : reconhecer que os políticos são mal pagos e legislar para mudar isso. Só assim, acredita, se atrairão os melhores. O populismo, defende, combate-se com strong decisions e com a consistency de seguir o próprio caminho, independentemente do que se diz nas redes ou nos comícios. Não com medo, mas com uma posição clara.
Dizer que todos os que saem são por falta de qualidade é um pouco redutivo. E se forem por falta de sintonia com a direção atual?
Interessante como ele transforma uma perda de membros em vitória moral. Mas será que não é só uma narrativa conveniente?
A parte sobre os salários dos políticos é a mais corajosa. Ninguém quer falar disso, mas é real: como atrair bons quadros com low pay baixo salário?
Concordo com a ideia do necessary distance distanciamento necessário. Hoje em dia, qualquer detalhe vira escândalo. Isso afasta gente boa da política.
E Rui Cristina foi eleito duas vezes pelo Chega. Será que falta de qualidade explica isso? Ou será que há public demand demanda pública por outra coisa?
O discurso é forte, mas me pergunto se o PSD realmente pratica o que prega. Será que eles têm real transparency transparência real ou só falam dela?