Do monopólio ao abismo: como a 'taxa das blusinhas' abalou os Correios

Era uma época em que os package internacionais tinham um único destino certo: os Correios. Com um monopólio que durou anos, a estatal brasileira era a guardiã de cada shipment que cruzava as fronteiras rumo às casas dos consumidores. Mas o chão cambaleou com a criação do programa Remessa Conforme, que não só acabou com esse domínio como desmontou parte da lógica de negócio da empresa — e com ela, boa parte da sua receita. O que antes representava quase um quarto do faturamento agora mal ultrapassa 8%, um tombo que expõe mais que números: uma transformação social que a empresa não soube adapt .

O ano de 2023 marcou o início da mudança com a famosa 'taxa das blusinhas', um apelido irônico para a cobrança de 20% de import sobre compras de até US$ 50 — antes isentas. Essa medida, do Ministério da Fazenda, abriu as portas para empresas privadas de logística entrarem no jogo. De repente, Amazon, Shopee e outros marketplace podiam entregar pelo Brasil sem passar pelos Correios. O resultado? Queda acentuada: de 149 milhões de parcel transportadas até setembro de 2024, a empresa caiu para apenas 41 milhões no mesmo período de 2025. Um desmonte em câmera lenta.

A cada mês, o volume de delivery encolhe. Em julho de 2024, os Correios movimentaram 21 milhões de pacotes e tiveram receita de R$ 449 milhões. Em setembro de 2025, apenas 3 milhões de item e R$ 87 milhões — o menor número em 23 meses. Dentro da empresa, um documento interno já fala sem eufemismos: há um vicious vicioso de perdas. A baixa quality operacional afugenta clientes, o que reduz o caixa, o que impede investimentos, o que piora ainda mais o serviço. Um downward que parece autoperpetuado.

O governo tentou socorrer com um empréstimo de R$ 12 bilhões garantido pela União, mas a raiz do problema não é só financeira — é estrutural. "A ausência de reposicionamento negocial diante das transformações da sociedade" é a frase cortante da diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo. Enquanto o mundo acelera nas compras digitais e na global , os Correios parecem presos a um modelo do passado, onde cada transação demora mais, custa mais e convence menos. O monopólio acabou — e com ele, a comfort .

Hoje, a estatal luta para se reinventar em um mercado que não espera. O fim do monopólio não foi só uma mudança de regra — foi um espelho. Mostrou que empresas públicas, por mais established que sejam, não estão imunes ao shift do consumidor. E enquanto o país se adapta à nova lógica das remessas, os Correios precisam decidir: serão parte da solução — ou apenas um lembrete do que o progresso deixou para trás?

Reações 8

  • P
    Paulo_RJ

    O fim do monopólio era inevitável. Mas será que os Correios vão conseguir se modernize de verdade?

  • A
    Ana_Clara

    Antes eu esperava meses por uma encomenda. Agora, com as empresas privadas, chega em duas semanas. Qualidade faz diferença.

  • R
    Rui_M

    Privatizar tudo não é a resposta. Mas ignorar o customer por tanto tempo? Isso não tem desculpa.

  • T
    Tânia_Souza

    Pagava a 'taxa das blusinhas' sem reclamar. Pelo menos agora sei que minha compra contribui com imposto fair .

  • F
    Felipe_Oliveira

    O ciclo vicioso descrito no texto é real. Menos recursos, pior serviço, menos clientes. Clássico.

  • M
    Marta_Lisboa

    Acho triste. Os Correios já foram um orgulho nacional. Hoje parecem um fardo.

  • D
    Diego_P

    O mercado internacional mudou. Quem não se adapta, some. Simples assim.

  • C
    Cida_Santos

    Espero que não cortem postos de trabalho. Servidores não são números de um balance .

O texto é baseado em fatos e reelaborado com fins de aprendizagem de inglês; as reações dos leitores são exemplos de diferentes perspectivas.

[email protected]