Faleceu o zoólogo Desmond Morris, autor de O Macaco Nu

Apenas um primata entre centenas não tem pelo: the human . Foi dessa constatação que Desmond Morris (1928–2026) partiu para escrever O Macaco Nu, obra publicada em 1967 que provocou um impacto profundo ao retratar o Homo sapiens como mais um animal do reino dos primatas. Zoólogo, apresentador de televisão, autor de dezenas de livros e pintor surrealista, Morris morreu este domingo, aos 98 anos, deixando um legado multifacetado entre a scientific communication e a arte.

Formado em Oxford com um doutoramento sobre o reproductive behavior de aves, Morris tornou-se uma figura mediática ao apresentar programas como Zoo Time na ITV Granada, antecipando a onda de popularização da zoologia na televisão. Embora tenha sido comparado a David Attenborough, seu contemporâneo na BBC, Morris construiu uma identidade própria ao aproximar o público do animal world com linguagem acessível e olhar provocador.

O sucesso global de O Macaco Nu, com mais de 20 milhões de cópias vendidas, deve-se à sua central thesis : muito do comportamento humano pode ser interpretado à luz da etologia. Apesar de a ideia já circular entre cientistas, o livro trouxe-a ao public debate com força inédita. Contudo, algumas das suas observações foram amplamente contestadas — como a ideia de que os seios femininos servem principalmente para attract males , ou a sub-representação do papel das mulheres na era dos caçadores-recolectores.

Paralelamente à ciência, Morris manteve uma carreira artística séria. Surrealista convicto, expôs com Joan Miró já em 1950 e, ainda em vida, viu adiado o reconhecimento pleno como pintor devido ao overwhelming success do seu livro. Interessado na creative potential dos animais, ele orientou o chimpanzé Congo na produção de centenas de pinturas abstratas, questionando os limites da arte e da animal intelligence .

Ao longo das décadas, Morris continuou a explorar o ser humano como um primata cultural, escrevendo sobre futebol, arte e comportamento social. Mesmo com avanços científicos que refutam partes de sua análise, sua lasting contribution permanece: obrigou o público a encarar a biological reality de nossa espécie. Como disse o biólogo Adam Rutherford, o valor do livro não está em estar sempre certo, mas em abrir uma critical discussion que ainda hoje ressoa.

Reações 6

  • C
    ClaraM

    O livro foi uma game-changer na minha adolescência. A ideia de que somos animais com cultura ainda me parece revolucionária.

  • T
    Tavarez

    Interessante como a scientific community aceitou algumas ideias e rejeitou outras. A parte sobre as mulheres na pré-história realmente não cola hoje.

  • R
    Rui_P

    Morris misturou ciência e arte como ninguém. Isso por si já é um rare achievement .

  • S
    Sofia_L

    O fato de a Igreja ter proibido o livro mostra o quanto ele challenged norms . Isso por si vale o reconhecimento.

  • N
    NunoG

    Alguém sabe se os quadros do Congo estão em algum museu? Seria fascinante ver uma primate artwork ao vivo.

  • Z
    Zé_da_Biologia

    A tese principal ainda é válida, mas faltou cultural context nas análises comportamentais. Ciência boa evolui — e ele soube iniciar essa evolução.

O texto é baseado em fatos e reelaborado com fins de aprendizagem de inglês; as reações dos leitores são exemplos de diferentes perspectivas.

[email protected]